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FOMO: como o medo de “ficar de fora” pode estar afetando sua vida

FOMO: como o medo de “ficar de fora” pode estar afetando sua vida

Você já se sentiu mal por ter ficado de fora de alguma novidade? Esse é um sentimento cada vez mais comum e que cresce juntamente com o aumento do uso das redes sociais.

Fear of Missing Out (FOMO), que numa tradução livre seria algo como “medo de perder algo” ou “medo de ficar de fora”, faz com que as pessoas se sintam obrigadas a permanecer antenadas e conectadas o tempo todo. E essa necessidade constante de verificar as redes sociais pode trazer prejuízos para qualidade de vida de quem tem a fobia.

O que é e como surgiu o termo FOMO?

Um artigo publicado em 2021 na revista científica ‘World Journal of Clinical Cases’ indica que o termo FOMO surgiu em 2004 para descrever um fenômeno observado nas redes sociais.

Segundo o artigo de Mayank Gupta e Aditya Sharma, de nome ‘Fear of Missing Out: um breve panorama sobre origem, fundamentação teórica e relação com a saúde mental’, esse fenômeno psicológico vem de um sentimento de ansiedade por não estar presente em situações sociais.

Em 2013, o termo chegou ao dicionário Oxford, no qual psicólogos britânicos o definiram como “apreensão generalizada de que os outros possam estar tendo experiências gratificantes das quais alguém está ausente”.

Como o FOMO se manifesta?

Você já sentiu como se tivesse que saber o que as pessoas ao seu redor estão fazendo, vestindo, consumindo e por aí vai?

“Hoje, mais do que nunca, as pessoas estão expostas a muitos detalhes sobre o que os outros estão fazendo; e as pessoas se deparam com a incerteza contínua sobre se estão fazendo o suficiente.”, comentam Gupta e Sharma.

Por isso, o FOMO é considerado um tipo de apego problemático às mídias sociais, que pode vir associado a sentimentos como inferioridade, solidão, raiva, rejeição, insegurança, tensão e descontrole emocional, além de problemas diretamente relacionados à saúde mental como falta de sono, ansiedade e depressão.

O uso excessivo das redes sociais e o FOMO

Segundo Gupta e Sharma, o uso das redes contribui para uma comunicação mais fácil, compensando as suas necessidades sociais não satisfeitas com muito menos esforço e instantaneamente. No entanto, essa “compensação social” pode ser problemática quando reforça a evitação do contato “cara a cara” e, consequentemente, pode acarretar o aumento da ansiedade social.

Outro estudo, escrito por Billieux, Philippot, Schmid, Maurage, De Mol e Van der Linden, que abrange o uso disfuncional de telefone celulares, comenta que o aspecto cognitivo do FOMO é manifestado por ruminações negativas, como verificar e atualizar alertas e notificações, que posteriormente podem aumentar os níveis de ansiedade para acompanhar o tema com a expectativa de uma recompensa.

Por meio das mídias, há uma consciência contínua do que podemos estar perdendo em termos de diversão, que os pesquisadores descrevem como “cria percepções distorcidas de vidas editadas de outras pessoas”. E a natureza “ininterrupta” dessas comunicações pode levar a sentimentos de inadequação ao destacar a “vida editada” e a popularidade dos outros em comparação a si, levando a um ciclo compulsivo de checagem e busca por engajamento.

Como lidar com o FOMO?

Assim como qualquer outro problema que tem capacidade de afetar a saúde mental de um indivíduo, o FOMO deve ser encarado com seriedade. O tratamento psicológico adequado auxilia no controle da fobia, além dos outros transtornos que podem vir juntamente com ela, como insônia, ansiedade e depressão.

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